segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Profissão: Mordomo


Vivemos num cenário de grande complexidade, podemos apontar a intensificação da cultura do consumo, a devastação e a consequente ameaça ao meio ambiente como alguns dos desafios à fé cristã, por isso, volta e meia eu tinha certos questionamentos relacionados ao meu trabalho e a minha fé: _ Como posso glorificar a Deus projetando usinas hidrelétricas? Até que ponto posso exercer minha liberdade cristã explorando a natureza?

Como muitos sabem, a construção e a utilização de usinas podem ter uma série de consequências negativas, que abrangem desde alterações nas características climáticas, hidrológicas e geomorfológicas locais até a morte de espécies que vivem nas áreas de inundação. Algumas vezes é necessário desapropriar grandes populações, às vezes cidades inteiras em prol de um "bem maior". Somando-se a isso, há poucos dias li um artigo onde pesquisadores afirmam que as florestas submersas geram gases tóxicos que podem contribuir com o aumento do efeito estufa. Este é um dos tópicos que será discutido na próxima conferência a ser realizada em Copenhague e que tem por objetivo reformular o Protocolo de Kyoto.

Por outro lado, quando comparamos com outras fontes alternativas de energia economicamente viáveis, as centrais hidrelétricas são consideradas formas mais eficientes, limpas e seguras de geração de energia. Suas atividades provocam emissão incomparavelmente menor de gases causadores do efeito estufa do que as das termelétricas movidas a combustíveis fósseis, além de não envolverem os riscos implicados, por exemplo, na operação das usinas nucleares (vazamento, contaminação de trabalhadores e da população com material radioativo etc.).

Diversos instrumentos governamentais foram criados nos últimos anos para ordenar a exploração do potencial hidrelétrico brasileiro e aprimorar as práticas ambientais no setor. Algumas dessas providências são realmente imprescindíveis para minimizar alguns dos efeitos adversos da construção e uso de centrais hidrelétricas, como por exemplo o reflorestamento das margens dos reservatórios e de seus afluentes; os programas de conservação da flora e da fauna e implantação de áreas protegidas; o inventário, resgate, realocação e monitoramento de espécies ameaçadas de extinção que ocorriam na área atingida; a avaliação dos efeitos do enchimento dos reservatórios sobre as águas subterrâneas; o monitoramento da qualidade da água; e a realização de estudos arqueológicos antes do enchimento do reservatório.

Será que com esses dispositivos criados pelo governo e tendo conhecimento que a energia hidrelétrica, apesar de suas mazelas, ainda é considerada uma das formas de energia mais limpas, eu possa agora me redimir de todos os prejuízos que causei e que ainda causarei ao meio ambiente? Acredito sinceramente que não.

Em Gênesis no relato da Criação, Deus nos fala que fomos criados a sua imagem e que recebemos domínio sobre a natureza para cultivá-la e guardá-la. Essa tarefa implicaria em observar, aprender e desenvolver técnicas para lidar com a natureza, ou seja, seria vista como resultado de uma administração inteligente dos recursos embutidos por Deus no jardim, com vistas a aperfeiçoá-los. Deus encarregou o homem de manifestar a sua imagem por meio desse trabalho criativo.

A convicção fundamental da ciência é que o mundo funciona de acordo com leis e princípios regulares e constantes e, portanto, previsíveis. No mundo as coisas ocorrem de maneira confiável e regular. Essa base é dádiva da visão cristã de que o mundo foi criado por um único Deus, um Deus de ordem, de forma ordenada, coerente e unificada.

Foi Deus quem estabeleceu leis e princípios na natureza. Não foi a toa que coloquei a fórmula no desenho acima: a geração hidrelétrica está associada à vazão do rio, isto é, a quantidade de água disponível em um determinado período de tempo e à altura de sua queda. Quanto maiores são o volume, a velocidade da água e a altura de sua queda, maior é seu potencial de aproveitamento na geração de eletricidade (E=energia, Q=vazão, h=altura da queda, 9,8=constante gravitacional e t=tempo). Considero maravilhoso que exista tal ordem no universo e que possamos dela usufruir!

 Ao entendermos o funcionamento do meio-ambiente, do mundo e seus recursos, podemos perceber os desastres que estamos causando por violarmos essas leis e prever soluções. Somos responsáveis diante de Deus pelo emprego correto dos recursos naturais e pela preservação das demais espécies de animais.

Em um dos ótimos artigos do Rev. Augustos Nicodemus sobre esse tema, ele nos diz o seguinte:


"Vivemos num mundo afetado pelo pecado. De acordo com a Bíblia, quando o homem colocado no jardim se revoltou contra ele, Deus amaldiçoou a terra: Maldita é a terra por tua causa. E condenou o homem à morrer, a retornar ao pó de onde fora tirado. Um grande abismo se estabeleceu entre Deus e o homem, entre o homem e seus semelhantes, e entre o homem e a natureza. A crise que vivemos hoje se deve a estes abismos.

Separado de Deus, o homem perdeu a referência da sua existência e se tornou confuso, perdido, vazio, sem respostas.

Separado dos seus semelhantes, dedica-se a buscar seus próprios interesses, mesmo que à custa do próximo: daí surge a criminalidade, a opressão do próximo, a violência de todos os tipos.

Por esse motivo, a perspectiva cristã-reformada vê os problemas ambientais como sendo fundamentalmente de origem histórica moral e espiritual. E vê que a solução passa pela transformação interior das pessoas, uma mudança de mentalidade com relação a Deus, ao próximo e à natureza. Em suma, é esse o apelo e o chamado do Evangelho.

O Cristianismo ensina que o homem é responsável diante de Deus pelo uso racional e correto do mundo e da criação, pois é o mordomo de Deus dos bens criados por ele. A fé cristã com seu modo de ver o mundo provê os fundamentos epistemológicos, morais, espirituais e éticos para que possamos lutar pelo meio ambiente e em prol do nosso planeta, fazendo ecologia de forma coerente e integral."

Por que nós cristãos não conseguimos preservar de maneira correta o "jardim"? Ao lermos o livro "Fé Cristã e Cultura Contemporânea" percebemos com mais clareza que realmente não existe uma mentalidade evangélica a respeito desse tema específico, já que muitos cristãos assumem formas de pensamento que revelam uma visão limitada do senhorio de Cristo e do alcance do reino de Deus.

O que se vê hoje é o homem tentando aumentar o espaço da liberdade humana à custa de reduzir o espaço da soberania divina. O famoso estadista holandês Abraham Kuyper declarou certa vez: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”

Posso glorificar a Deus com meu trabalho deixando-o tomar o espaço que é seu de direito, ou  melhor, o espaço que sempre foi seu, pois a liberdade humana não é ganha pela ausência, mas pela presença de Deus! Quando falo que Deus é soberano não quero dizer apenas que ele tem o direito de exercer sua liberdade em todas as áreas da minha vida, mas também de limitar o exercício da  minha liberdade bloqueando qualquer resistência contrária a sua vontade. Nesse sentido Deus é a fonte de todo o poder. O Deus trino é o soberano absoluto, detentor do direito e das energias necessárias para fazer cumprir a sua vontade em cada área da vida, seja nas Artes, na Política, na Família, etc.

Diferente do racionalismo ocidental, o cristianismo considera que algumas questões concretas da sociedade, como justiça, solidariedade, amor ao próximo, reconciliação, paz e cuidado pelo meio ambiente, não são construções humanas. Antes suas origens remontam a um Criador amoroso e aos seus desígnios, que permitem viver a vida em toda a sua plenitude!


"A espiritualidade cristã deve se manifestar de forma integral e abranger todas as facetas da realidade criada por Deus. Todas as coisas, tanto no campo religioso como no cultural, acontecem sob a condução graciosa do Deus soberano, que em Cristo Jesus está realizando seus bons propósitos de reconciliação. Assim devemos perceber e viver a presença de Deus em atividades consideradas por muitos como "menos espirituais". Em nossa percepção da realidade não deve haver separação das coisas em sagradas e seculares, mais espirituais e menos espirituais, pois o que existe é a manifestação de dois reinos antagônicos, um fundado no amor de Deus e no amor a si mesmo e ao próximo, e o outro fundado na idolatria e no egoísmo humano." (*)
Certamento Deus é glorificado quanto o cristão procura ser cristão em todas as áreas, não somente na esfera religiosa ou ética.

(*) Se quiser aprofundar no tema, leia o livro "Fé Cristã e Cultura Contemporânea" publicado pela Editora Ultimato.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Desperta!




“ - Quer dizer que, na sua opinião, até Deus foi usado para enganar-nos? Certo. Também acho que nossa religião é falsa.
Nesse ponto, a mãe intrometeu-se na conversa. Quando o filho tocava em Deus e em tudo aquilo que ela relacionava a sua fé nele, que lhe era caro e sagrado, ela sempre buscava encontrar seu olhar; desejava transmitir-lhe sua muda súplica, para que ele não arranhasse seu coração com as palavras frias e ásperas da descrença. Mas, por trás de sua descrença, sentia a fé, e isso a tranqüilizava. (...)
- Quanto a Deus, é melhor terem mais cuidado! Digam o que quiserem! - tomando respiração, ela continuou com vigor ainda maior: - E uma velha como eu não terá mais onde apoiar-se, em meu desgosto, se vocês me tirarem Deus!
Seus olhos encheram-se de lágrimas. Estava lavando louça e seus dedos tremiam.
- A senhora não nos entendeu, mãe! - disse Pavel meigamente.
- Perdoe-me, mãe! – acrescentou Rybin e, sorrindo, olhou para Pavel. – Esqueci-me que você está muito velha para cortarem-lhe suas verrugas...
- Eu falava – prosseguiu Pavel - não do Deus bom e misericordioso, no qual a senhora acredita, mas daquele com que os padrecos nos ameaçam, como se fora um pau, do Deus em cujo nome querem obrigar a maioria dos homens a se submeterem à vontade mesquinha de poucos...
- É isso mesmo! - exclamou Rybin, batendo com os dedos na mesa.. - Até Deus foi falsificado por eles; mobilizam contra nós tudo o que têm nas mãos! Lembre-se, mãe, que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, o que quer dizer que ele é semelhante ao homem, já que este é semelhante a Deus! Mas nós não só não somos semelhantes a Deus, como mais parecemos animais selvagens. Na igreja, mostram-nos um espantalho... É preciso modificar Deus, mãe, purificá-lo. Vestiram-no de mentira e calúnia, mutilaram-lhe o rosto, para destruir nossas almas!... "

Máximo Gorki. Mãe. São Paulo. Abril Cultural, 1982, p. 268-269.


Muitas pessoas se decepcionam com os líderes de suas igrejas. Levam-se anos até que elas percebam que foram ludibriadas pelos lobos em pele de cordeiro..... às vezes nunca despertam desse sono e assim vão se deixando enganar, pois também não se prontificam a estudar a bíblia. Acham muito mais cômodo tomar como verdade absoluta tudo o que o pastor, reverendo, padre ou bispo pregam, afinal são ou não são homens “espirituais”, “super-crentes” escolhidos por Deus com a tarefa de pregar a Sua Palavra? Vou lhe contar quem sabe uma novidade: Nem todos foram chamados e vocacionados por Deus.


Conhece o pacote básico “engana-ovelha” que é apresentado durante o culto? Segue a lista: _ Piadinhas para prender a atenção dos fiéis, divagações sobre trivialidades e banalidades, promessas fantásticas de curas milagrosas, promessas de prosperidade (ex: um emprego dos sonhos ou mesmo um carro novo), sacolinhas circulando várias e várias vezes entre os fiéis recolhendo o dinheiro do dízimo e das ofertas, barganhas com Deus (ex: o Senhor me dá isso que eu lhe dou àquilo), shows de exorcismos, revelações estapafúrdias sem nenhum fundamento bíblico, dicas de auto-ajuda para o relacionamento amoroso ou qualquer outra área da vida, distribuições e vendas de amuletos “mágicos”, pregações sobre maldições hereditárias, Salvação alcançada através de obras, outros intermediadores e intercessores além de Jesus, sermões nada cristocêntricos, grupos de louvor entoando “mantras” gospel (ex: aleluia....aleluia.....aleluia....vem Senhor.....vem Senhor..... umas quinhentas vezes seguidas). Essa lista soou familiar para você?


Muitos líderes religiosos realmente retiram várias doutrinas de passagens bíblicas, porém essas passagens são versículos isolados que são apresentados à igreja fora do contexto e que por isso, trazem consigo muitos ensinamentos distorcidos. Se as passagens fossem examinadas adequadamente trariam grandes ensinamentos e edificação ao povo de Deus. Os bereanos são lembrados em Atos 17:11 como exemplos para aqueles que desejam ter uma fé sólida e mais próxima possível da Revelação.

Há ministros "bem intencionados", porém alguns destes acreditam que não seja necessário estudar as escrituras e que o Espírito Santo fará o trabalho sozinho, mas isso é uma meia verdade, ou seja, uma grande mentira. É necessário muito estudo para se preparar um sermão expositivo (*). 
 
A responsabilidade da congregação é assegurar que a bíblia seja pregada corretamente (observe a responsabilidade que Jesus põe sobre a congregação em Mateus 18, ou Paulo em 2 Timóteo 4). Uma igreja jamais pode colocar como supervisor espiritual do rebanho uma pessoa que não demonstra na prática um compromisso claro em ouvir e ensinar a Palavra de Deus. Agir assim é impedir inevitavelmente o crescimento da igreja, praticamente encorajando-a a só crescer até o nível do seu líder espiritual. Se assim for, a igreja será conformada lentamente à mente dele, em vez de ser conformada à mente de Deus.


(*) Sermão ou pregação expositiva tem como objetivo expor o que é dito em uma passagem particular da Bíblia, explicando cuidadosamente seu significado e aplicando-o à congregação.



“Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:8)

“Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mt 12.36).

domingo, 27 de setembro de 2009

KAFFE-KANTATE




A cantata fala da discussão entre pai (Schlendrian) e filha (Liesgen) sobre o consumo do café. O pai quer a todo custo que a filha deixe de tomar café, oferecendo-lhe em troca todo o tipo de propostas para que ela possa deixar de tomá-lo. Esta, porém, tudo recusa, à exceção de um marido, mas como ela mesma diz, tem que ser um marido que a permita tomar café! A ária mais interessante da cantata é “Ei, wie Schmeckt der Coffee süße” (BACH-CANTATAS, 2007) na qual Liesgen se expressa sobre seu gosto por café:

Ei! wie schmeckt der Coffee süße,
(Ah! Quão doce é o gosto do café,)

Lieblicher als tausend Küsse,
(Mais amado que mil beijos,)

Milder als Muskatenwein.
(Mais suave que vinho moscatel.)

Coffee, Coffee muss ich haben,
(Café, eu tenho que ter café,)

Und wenn jemand mich will laben,
(E se alguém quiser me dar algum deleite,)

Ach, so schenkt mir Coffee ein!
(Ah!, Apenas me dê café!)


Informações retiradas do site http://www.territoriocafe.com/

Bach tinha certo senso de humor, não é mesmo?

sábado, 26 de setembro de 2009

Pressupostos





_ Discutir sobre religião é inútil, é uma perda de tempo, pois não se chega a lugar algum! Aposto como você já ouviu essa frase diversas vezes e também aposto como já concordou com ela no passado, porém o que talvez ainda não saiba é que essa frase é totalmente ilógica.

Muitas pessoas procuram construir suas próprias visões de mundo (Cosmovisão). Quando fazem isso, tentam chegar às respostas sobre a realidade última por conta própria. Elas estão essencialmente dizendo: "Penso que a realidade consiste disso e daquilo...etc.". Mas aqueles que aderem a uma cosmovisão bíblica não dependem de suas próprias suposições arbitrárias como uma ferramenta para elaborar suas explicações para o que existe. Essas pessoas começam assumindo que aquilo que a Bíblia revela sobre a realidade é verdadeiro.

Cristãos e não cristãos começam refletindo sobre os diversos assuntos pela perspectiva de suas próprias cosmovisões. Eles possuem visões de mundo diferentes. As cosmovisões desempenham um papel central nas discussões sobre Deus, sobre o homem e sobre o Cosmos. Elas tocam no próprio cerne do que nós cremos sobre a realidade. Não deveria, então, nos surpreender que ocorram conflitos entre cosmovisões. Cada um irá discordar das cosmovisões que diferem da nossa. (Retirado do livro Fé com Razão - Por que o Cristianismo é Verdadeiro de Joseph R. Farinaccio)


Não é a toa que existe uma disciplina em Teologia que se chama Apologética Cristã. Apologética é uma palavra derivada de "apologia" (do grego απολογία, "defesa verbal")[1] usada para designar a prática da explanação e defesa sistematizadada da fé cristã[2].

Conforme Sproul, Gerstner, Lindsley (1984:13),"Apologetics is the reasoned defense of the Christian religion", i.e., a apologética é a defesa fundamentada da religião Cristã. Como defesa fundamentada da fé, a Apologética está para a Teologia como a Filosofia está para as Ciências Humanas."

Agora que você já sabe o que é Cosmovisão e do que trata a Apologética, a idéia principal que se deve ter em mente é que todos os argumentos são, no final das contas, estabelecidos somente apelando-se à validade dos nossos primeiros princípios. Mas como provar essa "validade"?

Alguém chega pra você cristão e diz não crer que a Bíblia seja a Palavra de Deus. O que você faz? Provavelmente a maioria de nós não vai querer discutir "religião" e para encerrar o assunto rapidamente essa mesma maioria vai dizer que é uma questão de Fé crer ou não crer nas Escrituras. O que é uma pena, pois nossa fé cristã não pode ser essa fé cega que muitos apregoam. Na Bíblia vemos que Paulo era um apologeta de "primeira"!

Peguemos como exemplo as seguintes questões/pressuposições:
1 - A Bíblia não é a Palavra de Deus
2 - A Bíblia contém a Palavra de Deus
3 - A Bíblia é a Palavra de Deus

Pressuposto 1 - A bíblia 'não' é a palavra de Deus

Se você considera a bíblia um documento humano, ou seja, não crê no caráter sobrenatural das Escrituras, considera um livro igual a qualquer outro, um livro que reproduz a história de Israel (Antigo Testamento) e da Igreja primitiva (Novo Testamento), mas que seria resultado da cultura e da história, tendo o mesmo valor que outros textos religiosos e mitológicos que têm sido encontrados pelos historiadores, então quero contar-lhe minha experiência.

Há uns três anos eu também não cria na autoridade bíblica, mas resolvi adotar o pressuposto 3 e quem sabe encontrar alguma verdade nele. Comecei a frequentar uns estudos bíblicos cristãos. No meu primeiro dia a pessoa encarregada de ministrar os estudos fez uma pequena retrospectiva de Gênesis e portanto, narrou as histórias de Adão e Eva e da Queda. No íntimo eu zombava daquilo tudo, afinal achava ilógico crer em Adão e Eva.

Eu tinha uma idéia totalmente errada sobre o caráter de Deus. Acreditava que o deus do Antigo Testamente era um deus irado e vingativo, diferente do deus do Novo Testamento que era "bonzinho" e misericordioso, achava que a bíblia era um livro ultrapassado e que inferiorizava as mulheres, mas essas conclusões eu tirava sem nunca ter estudado a bíblia. As vezes, ouvia alguém comentar e tomava aquilo como verdade absoluta.

Com o passar dos dias essas certezas foram diminuindo. Não contente com os estudos semanais, diariamente em casa eu também procurava ler a bíblia e foi então que histórias como a arca de Noé, Jonas e a baleia, as parábolas de Jesus e muitas outras que ouvi na infância começaram a fazer sentido. Não eram fábulas para distrair crianças e retirar uma lição de moral como eu imaginava, são histórias reais e com significados muito maiores. 

Apesar de a bíblia ser um livro escrito por homens ao longo de mais de quatro mil anos de história, compreendi que ela é uma unidade que ultrapassa as diferenças culturais, históricas e individuais de cada um de seus escritores; percebi também uma unidade incrível entre seus mais diversos textos, como, por exemplo, a impressionante complementaridade entre Gênesis e Apocalipse, redigidos num espaço de mais de mil anos, ou entre Daniel e Apocalipse, redigidos num intervalo superior a quinhentos anos.


Só o tempo de elaboração da Bíblia e as diferenças brutais dos fatores que cercam cada um de seus livros já mostram que é impossível considerar a bíblia como um simples livro humano. Bem pelo contrário, a bíblia revela-se como a palavra de Deus, na medida em que suas profecias têm se cumprido literalmente (que o digam as profecias a respeito de Jesus, todas comprovadamente anteriores ao ministério terreno de Cristo e que se cumpriram integralmente).


Enfim, convido-o a adotar o pressuposto 3. Não se desespere com algo que não entenda no início dos seus estudos. Aprendi que não é errado ter dúvidas legítimas, talvez não consiga achar o significado de um ou outro trecho, mas para isso existe o L'Abri, as escolas dominicais das igrejas protestantes, algum colega cristão mais próximo ou até mesmo sites cristãos com excelentes estudos bíblicos. Não tenha vergonha. A bíblia é uma fonte inesgotável de conhecimento, por isso precisamos uns dos outros e principalmente de Deus para abrir nossos olhos para as Suas verdades reveladas. Procure ler a bíblia antes de dormir e ore em silêncio pedindo de coração a Deus entendimento. Também não é errado pedir por Fé a Ele, OK?
 
Pressuposto 2 - A bíblia 'contém' a palavra de Deus

Lamento dizer, mas se você crê realmente no pressuposto 2, inevitavelmente você cai no pressuposto 1. Não faz sentido levarmos em conta alguns textos bíblicos em detrimento de outros, pois entraríamos no relativismo humano, afinal qual o texto certo e qual o errado? Se aceitarmos que a Bíblia possui somente algumas partes inspiradas, consequentemente também consideraremos que este livro será insuficiente, cheio de erros, e impossível de ser entendido, então, ele não nos servirá para nada, a nossa fé será vazia de significado tornando o Cristianismo uma religião confusa.

Se você não confia na bíblia o bastante para deixá-la questionar e corrigir sua maneira de pensar, como poderá um dia ter um relacionamento pessoal com Deus? Ora, o que será que acontece quando você elimina da bíblia tudo o que ofende a sua sensibilidade ou vai de encontro a sua vontade? Se escolher aquilo em que deseja crer e rejeitar o restante, como será capaz de ter um Deus que venha a contradizer você? Não será capaz! Acabará com um Deus criado por você, e não com um Deus com quem você possa se relacionar e interagir genuinamente. Somente se o seu Deus puder dizer coisas que façam você se sentir ultrajado e obrigado a lutar (como em um casamento ou amizade de verdade!) você saberá que tem um Deus de verdade, e não algo que sua imaginação criou. Por isso, uma bíblia inquestionável não é a inimiga de um relacionamento pessoal com Deus, mas um pré-requisito para este.
 
Pressuposto 3 - A bíblia 'é' a palavra de Deus

Através dos pressupostos acima vimos que a resposta que dermos à pergunta ‘A bíblia é a Palavra de Deus?’ dependerá amplamente do conceito que sustentamos da Escritura. Se nós consideramos a bíblia como realmente a única Palavra de Deus, então nós a consideramos verdadeira, portanto inspirada, infalível, inerrante em quaisquer áreas em que porventura venha se expressar e pelo qual deva nos reger; sendo também a nossa única regra de fé e prática.

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Tim 3:16-17)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

You are fired!

Estamos no final do mês de setembro, completa-se um ano da crise mundial. Há exatamente um ano, o mundo todo foi tomado pelo medo de que uma crise sem precedentes assolaria as economias globais e traria prejuízos sociais tão grandes como nos anos 30.


Lembro-me bem. Foi difícil me despedir de colegas tão bons, solícitos, íntegros e competentes. Muitos deles já eram avós e cheios de experiência no setor de engenharia, porém  seus salários eram altos. A empresa resistiu o quanto pôde, mas meses depois não conseguiu arcar com estes custos. Não foi por acaso que me lembrei de um dos textos do Stephen Kanitz. Sim.........eles ouviram a famigerada "frase". 

VOCÊ ESTÁ DEMITIDO


Você é diretor de uma indústria de geladeiras. O mercado vai de vento em popa e a diretoria decidiu duplicar o tamanho da fábrica. No meio da construção, os economistas americanos prevêem uma recessão, com grande alarde na imprensa. A diretoria da empresa, já com um fluxo de caixa apertado, decide, pelo sim, pelo não, economizar 20 milhões de dólares. Sua missão é determinar onde e como realizar esse corte nas despesas.

Esse é o resumo de um dos muitos estudos de caso que tive para resolver no mestrado de administração, que me marcou e merece ser relatado. O professor chamou um colega ao lado para começar a discussão. O primeiro tem sempre a obrigação de trazer à tona as questões mais relevantes, apontar as variáveis críticas, separar o joio do trigo e apresentar um início de solução.

"Antes de mais nada, eu mandaria embora 620 funcionários não essenciais, economizando 12 200 000 dólares. Postergaria, por seis meses os gastos com propaganda, porque nossa marca é muito forte. Cancelaria nossos programas de treinamento por um ano, já que estaremos em compasso de espera. Finalmente, cortaria 95% de nossos projetos sociais, afinal nossa sobrevivência vem em primeiro lugar". É exatamente isso que as empresas brasileiras estão fazendo neste momento, muitas até premiadas por sua "responsabilidade social".

Terminada a exposição, o professor se dirigiu ao meu colega e disse:

-Levante-se e saia da sala.

-Desculpe, professor, eu não entendi - disse John, meio aflito.

-Eu disse para sair desta sala e nunca mais voltar. Eu disse: PARA FORA! Nunca mais ponha os pés aqui em Harvard.

Ficamos todos boquiabertos e com os cabelos em pé.

Nem um suspiro. Meu colega começou a soluçar e, cabisbaixo, se preparou para deixar a sala. O silêncio era sepulcral.

Quando estava prestes a sair, o professor fez seu último comentário:

-Agora vocês sabem o que é ser despedido. Ser despedido sem mostrar nenhuma deficiência ou incompetência, mas simplesmente porque um bando de prima-donas em Washington meteu medo em todo mundo. Nunca mais na vida despeçam funcionários como primeira opção. Despedir gente é sempre a última alternativa.

Aquela aula foi uma lição e tanto. É fácil despedir 620 funcionários como se fossem simples linhas de uma planilha eletrônica, sem ter de olhar cara a cara para as pessoas demitidas. É fácil sair nos jornais prevendo o fim da economia ou aumentar as taxas de juros para 25% quando não é você quem tem de despedir milhares de funcionários nem pagar pelas conseqüências. Economistas, pelo jeito, nunca chegam a estudar casos como esse nos cursos de política monetária.

Se você decidiu reduzir seus gastos familiares "só para se garantir", também estará despedindo pessoas e gerando uma recessão. Se todas as empresas e famílias cortarem seus gastos a cada previsão de crise, criaremos crises de fato, com mais desemprego e mais recessão. A solução para crises é reservas e poupança, poupança previamente acumulada.

O correto é poupar e fazer reservas públicas e privadas, nos anos de vacas gordas para não ter de despedir pessoas nem reduzir gastos nos anos de vacas magras, conselho milenar. Poupar e fazer caixa no meio da crise é dar um tiro no pé. Demitir funcionários contratados a dedo, talentos do presente e do futuro, é suicídio.

Se todos constituíssem reservas, inclusive o governo, ninguém precisaria ficar apavorado, e manteríamos o padrão de vida, sem cortar despesas. Se a crise for maior que as reservas, aí não terá jeito, a não ser apertar o cinto, sem esquecer aquela memorável lição: na hora de reduzir custos, os seres humanos vêm em último lugar.

Stephen Kanitz

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sabedoria Espiritual



Você já leu algum artigo ou livro de Vincent Cheung? Ele é o autor cristão de mais de vinte livros e centenas de palestras sobre teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Alguns leitores podem se sentir ofendidos com seu modo de escrever ao lidar com essas questões. Cheung é bastante firme na defesa das suas ideias e não tem receio de desagradar "aqueles" que possuem defeituosos princípios básicos cristãos. Eu particularmente gosto muito de suas obras. Leia e tire suas conclusões do pequeno trecho, colorido de verde, retirado de um dos seus estudos dos versículos 9 a 14 do primeiro capítulo de Colossenses.

"Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência com alegria, dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz. Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados." (Colossenses 1:9-14)

"A sabedoria espiritual que é necessária para se desenvolver como um crente, e para crescer em fé, amor e esperança, está disponível a todo cristão através dos meios que Deus providenciou, tais como a oração e o estudo. Mas isso também remove qualquer desculpa do crente para ignorância espiritual e teológica.
 
Uma falta de educação formal não é desculpa, visto que a sabedoria espiritual vem de Deus, e não do homem. A promessa de Deus na Escritura, de que ele derramará sua sabedoria sobre aqueles que pedem, é mais que suficiente para sobrepujar qualquer obstáculo que pareça estar presente devido à carência de treinamento acadêmico. Negar isso é negar também o poder e a promessa de Deus. Por outro lado, existem aqueles que se orgulham em continuar sem uma educação formal, e ao mesmo tempo não se esforçam para adquirir sabedoria e conhecimento através de oração e estudo. Isso não é espiritualidade, mas delírio auto-justificador.
 
O ponto é, quer alguém tenha recebido ou não uma educação formal ou qualquer treinamento facilitado pelo homem, a verdadeira sabedoria vem de Deus, através dos meios apontados por ele, e isso não leva ao elitismo, mas à humildade e serviço com grande intrepidez, pois no texto acima Paulo ora a Deus para que os crentes recebessem sabedoria espiritual com o intuito que essa também produziria boas obras."

Assim como Paulo, também devemos clamar incessantemente a Deus em oração para que nós, não somente entendamos as Sagradas Escrituras ao estudá-las, mas também proclamemos, defendamos e pratiquemos a Cosmovisão Bíblica Cristã como um sistema de pensamento compreensivo e coerente. Chega de delírios auto-justificadores!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Coisas de empresa - Parte I


CAUSA: Comunicação deficiente.

The Test of FAITH



O Instituto Faraday lançou um vídeo fantástico contendo três documentários com debates sobre religião e ciência envolvendo a cosmologia, a biologia evolucionária, as neurociências, teorias como o criacionismo, design inteligente, questões profundas como o problema do mal, o problema do aquecimento global e da vocação cristã de cuidar do planeta terra e a personalidade humana.

Várias sumidades no campo das ciências e da teologia foram convidadas para as entrevistas, incluindo o físico-matemático de Cambridge e pastor anglicano John Polkinghorne, o físico Ard Louis, de Oxford, o neurocientista Bill Newsome, o teólogo Alister McGrath, o diretor do projeto Genoma Humano, Dr. Francis Collins, o historiador da ciência Peter Harrison e o biólogo molecular John Bryant (este último leciona na mesma Univerdade que o Lucas estuda em Exeter) entre outros. O "bônus" vem com todas essas entrevistas.

Há conceitos novos e difíceis de compreender à primeira vista como "ajuste-fino cósmico" (fine-tunning), "princípio cosmológico antrópico" e "multiverso". Esses conceitos são encontrados nessa produção e creio que para muitos professores seria difícil conceituá-los para um aluno, entretanto o documentário os expõe didaticamente para o expectador leigo.

Em 16 de Março o vídeo foi apresentado no Festival de Ciências de Cambridge e noticiado em vários órgãos como o Daily Telegraph. Também foi premiado antes mesmo do lançamento oficial - ganhou a prata como o melhor documentário do ano pela International Visual Communications Association. Trata-se de um documentário de alto nível, ou seja, sem amadorismo acadêmico e de grande qualidade da produção. Espero sinceramente que o filme chegue logo ao Brasil.

Outras informações e vídeos são encontrados no link:

http://www.testoffaith.com/default.aspx

http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=5®istro=1062

É importante ressaltar neste blog que o filme não tem a pretensão de provar a existência de Deus através de princípios lógicos e menos ainda de propagar que se pode adquirir fé através da razão. Todos sabemos que a fé é dom de Deus. Acredito que a intenção dos produtores e de outros cientistas cristãos seja mostrar racionalmente, através do documentário,  o quanto é evidente a existência de Deus e muito mais coerente e aceitável ao ser humano do que o ateísmo. Há sim um maravilhoso propósito para a vida!!!

O Velho, O Menino e o Burro



Um velho resolveu vender seu burro na feira da cidade. Como iria retornar andando, chamou seu neto para acompanhá-lo. Montaram os dois no animal e seguiram viagem. Passando por umas barracas de escoteiros, escutaram os comentários críticos:

_ Como é que pode, duas pessoas em cima deste pobre animal!

Resolveram então que o menino desceria, e o velho permaneceria montado. Prosseguiram...
Mais na frente tinha uma lagoa e algumas velhas estavam lavando roupa. Quando viram a cena, puseram-se a reclamar:

_ Que absurdo! Explorando a pobre criança, podendo deixá-la em cima do animal.

Constrangidos com o ocorrido, trocaram as posições, ou seja, o menino montou e o velho desceu. Tinham caminhado alguns metros, quando algumas jovens sentadas na calçada externaram seu espanto com o que presenciaram:

_ Que menino preguiçoso! Enquanto este velho senhor caminha, ele fica todo prazeroso em cima do animal. Tenha vergonha!

Diante disto, o menino desceu e desta vez o velho não subiu. Ambos resolveram caminhar, puxando o burro. Já acreditavam ter encontrado a fórmula mais correta quando passaram em frente a um bar. Alguns homens que ali estavam começaram a dar gargalhadas, fazendo chacota da cena:

_ São mesmo uns idiotas! Ficam andando a pé, enquanto puxam um animal tão jovem e forte!

O avô e o neto olharam um para o outro, como que tentando encontrar a maneira correta de agir. Então ambos pegaram o burro e o carregaram nas costas!!!



(Autor desconhecido)

domingo, 20 de setembro de 2009

Ordem cronológica dos livros do A.T.



Não sei você, mas eu aprendo com mais facilidade usando mapas, diagramas, desenhos ou escrevendo a matéria a ser estudada de forma esquemática, por isso logo que iniciei meus estudos bíblicos fiz várias pesquisas na internet e encontrei o desenho acima contendo a ordem cronológica dos livros do Antigo Testamento. Detalhe: ainda não decorei. Sou péssima para decorar e aquela musiquinha com todos os livros da bíblia cantados na ordem como se apresentam na própria bíblia não funciona comigo. Eu sei que a criançada que frequenta a escola dominical sabe cantá-la de trás pra frente. Definitivamente a música não está entre meus métodos preferidos de estudo para tristeza do Pachecão (*), porém ainda não desisti de decorá-los!

(*) Pachecão é um popular professor de um cursinho pré-vestibular de BH que lançou um CD anos atrás ensinando Física. Tive esse CD, meu irmão decorou as musiquinhas, eu não, quer dizer.....só a do Copérnico.