sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vamos pensar


O hinduísmo, com sua doutrina do karma, mostra um senso “aparentemente” gratificante de justiça. Os mestres hindus calcularam com precisão matemática quanto tempo leva para que seja feita justiça a uma pessoa: a fim de equilibrar o castigo por todos os meus erros nesta vida e nas vidas futuras, 6.800.000 encarnações seriam suficientes.

Durante uma conferência britânica a respeito de religiões comparadas, teólogos de todo o mundo debatiam qual a crença única da fé cristã, se é que existia essa crença. Eles começaram eliminando as possibilidades. Encarnação? Outras religiões tinham diferentes versões de deuses aparecendo em forma humana.

Ressurreição? Novamente, outras religiões tinham histórias de retorno dos mortos. O debate prosseguiu durante algum tempo até que C. S. Lewis entrou no recinto.

"A respeito do que é a confusão?", ele perguntou, e ouviu a resposta dos seus colegas de que estavam discutindo sobre qual seria a contribuição única do cristianismo entre as religiões do mundo. Ele então respondeu:

"Oh, isso é fácil. É a graça!"


Depois de alguma discussão, os conferencistas tiveram de concordar. A noção do amor de Deus vindo a nós livre de retribuição, sem cordas amarradas, parece ir contra cada instinto da humanidade.

O caminho de oito passos do budismo, a doutrina hindu do karma, a aliança judaica, o código da lei muçulmana — cada um deles oferece um caminho para alcançar a aprovação. Apenas o cristianismo se atreve a dizer que o amor de Deus é incondicional.

Consciente de nossa resistência inata à graça, Jesus falou dela com freqüência. Ele descreveu um mundo banhado pela graça de Deus: onde o sol brilha sobre bons e maus; onde as aves recolhem sementes de graça, sem arar nem colher para merecê-las; onde flores silvestres explodem sobre as encostas rochosas das montanhas sem serem cultivadas.

Como um visitante de um país estrangeiro que percebe o que os nativos não percebem, Jesus viu a graça por toda parte. Mas Ele nunca analisou nem definiu a graça, e quase nunca usou essa palavra. Em vez disso, transmitiu graça por meio de histórias que nós conhecemos como parábolas.

Em toda a Bíblia, na verdade, Deus demonstra uma notável preferência por pessoas "autênticas" em vez de pessoas "boazinhas". Nas palavras do próprio Jesus: "Haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento".

Em um de seus últimos atos na cruz, Jesus perdoou o ladrão, sabendo muito bem que o ladrão havia se arrependido dos seus pecados e convertido. Esse ladrão nunca teria a chance de estudar a Bíblia, nunca freqüentaria uma sinagoga ou igreja e nunca acertaria a sua vida com todos aqueles que havia prejudicado. Ele simplesmente disse: "Senhor, lembra-te de mim", e Jesus lhe prometeu: "Hoje estarás comigo no paraíso". Foi outro lembrete chocante de que a graça não depende do que fizemos por Deus, mas, antes, do que Deus fez por nós.

Pergunte às pessoas o que elas devem fazer para ir para o céu e a maioria vai responder: "Ser bom". As histórias de Jesus contradizem essa resposta. Tudo que devemos fazer é clamar: "Socorro!" Deus recebe em sua casa qualquer um que clamar Seu nome em verdade de coração.

Trecho retirado do livro “Maravilhosa Graça” (Philip Yancey)


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