domingo, 25 de outubro de 2009

Ponto de Partida



A Apologética Pressuposicional alega que o cristianismo forma um sistema completo de pensamento, com autoridade própria, não podendo ser autenticado por evidências externas, por ser necessariamente verdadeiro. Os pressuposicionalistas alegam que a conquista do conhecimento exige um método confiável de análise, que permita deduzir informações necessariamente extraídas de premissas anteriores, o que só seria possível através do raciocínio sobre as declarações divinamente reveladas na Bíblia, e nunca das sensações ou da razão pura.

Desprovidos de um ponto inicial para racionar sobre as coisas, ninguém poderia obter informação segura, pela falta de uma base de inteligibilidade. E não adiantaria possuir um ponto inicial, se ele não possuísse auto-sustentação. Sem um princípio dogmático que nos permitisse interpretar a realidade a partir de um ponto absoluto, poderíamos apenas presumir a validade das coisas, conforme pressupostos injustificados. Para ter certeza da veracidade de uma declaração, precisaríamos negar qualquer possibilidade de sua falsidade, julgando-a por um sistema infalível de prova.

Isso só poderia ser conseguido, conforme o pressuposicionalismo, pela revelação de um Deus Todo-Poderoso e Criador (que deteria todo o conhecimento sobre o Universo, e toda a autoridade para nos obrigar a aceitar Sua interpretação sobre as coisas), fornecendo-nos as premissas confiáveis, pelas quais pudéssemos alcançar a verdade. Com tal alegação, os pressuposicionalistas questionam as premissas intelectuais dos não-cristãos, desafiando-os a apresentarem um sistema de prova pelo qual consigam extrair informações confiáveis, sobre qualquer coisa, e procuram demonstrar que o cristianismo não apenas é intelectualmente superior, mas exclusivamente verdadeiro.

Ao invés de começar a interpretar o mundo segundo premissas naturalísticas, não-cristãs (na verdade, anti-cristãs, por excluírem a noção de que Deus é o determinador da realidade e do conhecimento), para, depois, aceitar o cristianismo num “salto de fé”, o pressuposicionalista já começa aceitando o cristianismo por seu valor inerente, por ser uma revelação suficiente e autoritativa, a única base segura de conhecimento. Ele pressupõe que os fatos só possuem significado porque foram interpretados por Deus, antes de serem criados por Ele. Assim, no pressuposicionalismo, todo fato constitui evidência positiva à existência do Deus cristão, porque só poderia ser conhecido e explicado dentro da visão bíblica, cujas premissas forneceriam os pressupostos para o conhecimento, racionalidade e verdade.

Segundo Cheung em seu livro Reflexões Sobre as Questões Últimas da Vida: “Toda cosmovisão exige um princípio primeiro ou autoridade absoluta. Sendo primeiro ou absoluto, esse princípio não pode ser justificado por qualquer autoridade anterior ou maior; de outra forma não seria o primeiro ou absoluto. O princípio primeiro deve então possuir o conteúdo para justificar a si próprio. Por exemplo, a proposição 'Todo conhecimento provém da experiência sensorial' não é o princípio primeiro sobre o qual uma cosmovisão possa ser construída, pois se todo conhecimento advém da experiência sensorial, também esse princípio deve ser conhecido apenas pela experiência sensorial, mas antes de apresentar o princípio, a confiabilidade da experiência sensorial não estava estabelecida. Desse modo, o princípio resulta em um círculo vicioso, e se destrói. Não importa o que possa ser validamente deduzido desse princípio – se o sistema não pode sequer começar, as derivações do princípio não podem ser aceitas”.

Trechos extraídos do livro de Vincent Cheung, "Reflexões Sobre as Questões Últimas da Vida".

Um comentário:

Popsyne disse...

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